Felicidade...

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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Parem de falar mal da rotina

"Não é que a dura realidade frente às repetições do cotidiano abalou o desajeitado Shrek? O ogro verde era feliz e não sabia…Não era para menos. Ao longo de dez anos desde o primeiro episódio, acompanhamos as aventuras, descobertas e desencontros de Shrek. Natural, então, vermos todas as etapas da vida do corpulento ogro: de solitário a apaixonado, casado e, finalmente, pai de família. Faltava agora o inevitável: reclamar da rotina. Ele acorda, troca as fraldas das crianças, dá a mamadeira, muda de roupa, vai ao trabalho, janta em casa, vê os mesmos amigos, escuta as mesmas histórias, dá um beijo na mulher e vai dormir. Algo em comum com a sua rotina? Bem, ainda não tenho filhos, mas sei como as atividades diárias e recorrentes aborrecem. Falta ineditismo e é normal que seja assim. Pois bem, dessa vez, papai Shrek quer mudar o trivial do dia a dia, assim como todos os espectadores. O protagonista quer a mesma emoção do primeiro capítulo. Para isso, assina um contrato com um desprezível duende e volta a ser quem era. No começo, sente que é gostoso não dar satisfações a ninguém e caminhar sem direção certa. Só que ele não contava com a parte real dessa fantasia: após ficar livre, leve e solto, ele também sente falta do que perdeu.

Tudo porque Shrek não aceitou a chegada da maturidade, das responsabilidades, dos cuidados com os três filhos e com a esposa Fiona. Mesmo assim, após sentir o gostinho de voltar a ser um ser "selvagem" e não "domesticado", o ogro se dá conta de que até mesmo as chatices da rotina valem a pena. Como se não adiantasse mais querer voltar no tempo atrás do passado engomado pelas boas lembranças.


Ok, ok... a moral da história não deve ser: aceitar a realidade porque o que passou, passou. Acho que se houvesse um Shrek 5, veríamos que o nosso amigo verde queria dizer outra coisa: "Melhor botar para fora, do que para dentro". Ou seja, se não está satisfeito, fale o que sente e mude. Com Shrek, pelo menos, funcionou. Sempre haverá tempo para roteirizar as cenas do próximo capítulo da sua vida.


Por Maria Júlia Lledó
CorreioWeb

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